Gatos não dão trabalho – a ideia (errada) em torno dos felinos

https://deziroo.com/blogs/pawsitive-connections/debunking-the-low-maintenance-myth

Excelente artigo (breve) tratando de rever a concepção – equivocada – de que “gatos não dão trabalho”. A grande maioria das pessoas ainda pensa assim, isso significando na prática, animais abandonados dentro de casa, sem nenhum tipo de interação qualificada, entregues à própria sorte, entediados (sobretudo se estiverem em apartamentos), apenas com um pote de comida e de água.

Anúncios

E se o seu gato insiste em sair pra rua?

Petúnia é um de meus seis gatos. Nos primeiros meses na nova casa, custou a se adaptar e me obrigou a fazer e refazer as telas dos muros mais ou menos umas quinze vezes. Perdi a conta de quanto gastei entre telas de galinheiro, telas plásticas, alambrados e sombrites. Fora o tempo que passei emendando e remendando, muitas vezes de madrugada. Sim, porque acompanhando seus movimentos eu percebia que tentava sair por uma fresta deixada e lá ia eu, com arames na mão, fechar a passagem. Ela escapou inúmeras vezes, sempre no meio da madrugada quando eu, já exausto, não acordava mais com o barulho que poderia ter feito, se é que fazia algum. Por sorte, ela é uma gata que vocaliza bastante, se comunica, responde aos chamados. Eu saía pela rua feito um doido, com o led do celular ligado, chamava e pouco depois ela aparecia. Pode ser projeção da minha mente doentia mas eu via em sua expressão algo do tipo “viu seu bobo? Eu consegui”. Ficamos assim por meses até que ela pareceu se cansar e eu passei sossegados meses, acreditando que ela havia se “acostumado” ao novo lar. Vale dizer que, já antes, no apartamento onde antes estávamos, ela tinha o mesmo impulso. Uma noite conseguiu chegar ao telhado do prédio mas por sorte conseguimos pega-la. O tempo passou e veio uma nova e forte onda de inquietação. Roda pela casa toda, entra e sai pelas portas e janelas, mia, para ao lado dos lugares por onde sei que escapava antes e que agora lhe fecham a saída. O jogo começa no final da tarde, tem breves intervalos de sossego quando é de noite e volta a se intensificar no início da madrugada. Deita e sai da cama, já não durmo mais direito faz semanas, monitorando seus deslocamentos e, quando vejo que não vou conseguir dormir mais, capitulo, faço um chá preto e saio pra brincar com ela. Jackson Galaxy me mataria mas é bem assim.

É inútil procurar na internet por orientação para um caso assim. Você encontra mil artigos sobre a importância de telar a casa, não dar acesso à rua etc. Também pode encontrar mil outros sobre gatos domésticos e gatos silvestres (feral cats), sobre gatos que, vindo da rua, não se adaptam a casa nenhuma. Mas nenhum desses é o caso de Petúnia. Ela só nasceu na rua e logo em seguida já foi viver num apartamento. Pêta, como a chamamos, é um caso à parte, questão de personalidade, de psicologia felina, algo do gênero. E antes que alguém me fale que é preciso “enriquecer” o ambiente para entretê-la, esclareço que não faço outra coisa que criar brincadeiras, trazer caixas dos supermercados escolhidas à dedo, criar mocós, arrumar cantinhos. E passo horas brincando, escovando, dando atenção…talvez até demais. Não dar acesso à rua a um gato implica, necessariamente, em tudo isso e mais um pouco. Abrir o portão e não se preocupar, no fundo eu queria ser assim. Sempre me angustiava, dormia e não dormia, essa era a verdade. Até que um dia, aconteceu. Um de meus gatos morreu atropelado, no meio da madrugada, numa rua tranquila, em frente de onde morávamos. Não consegui mais ficar tranquilo, pra ser exato me tornei um neurótico do não acesso à rua. Se você visse as telas que botei e as gambiarras que foram surgindo a cada escapada de Pêta, iria entender o que estou falando. Enquanto meus outros cinco gatos olham quase que indiferentes para o movimento da rua, Petúnia olha com interesse. Enquanto consigo entretê-los com brincadeiras, com Pêta parece ser sempre diferente. Ela brinca como nenhum outro mas seu olhar está na rua. Eu compreendo…mas lhe fecho o portão e todas as passagens.

(Esse artigo foi escrito enquanto ela já rodava pela casa e eu, exausto pelas últimas noites muito mal dormidas, já misturo sonho e realidade).

Velhos e doentes. E quem vai cuidar dos gatos?

Minha mãe tem uma amiga que sempre gostou de gatos. Os filhos casaram e saíram de casa faz tempo. Ela se separou e vive sozinha há muitos anos. Com três gatos. Em situação financeira cada vez mais precária. E com a saúde deteriorando rapidamente agora que, além de diabética, já passa dos seus oitenta anos. Tirando um vizinho que gosta de gatos, seus filhos não dão a mínima para os seres que convivem com a mãe há décadas.

Mas a situação estava mais ou menos estabilizada, num discreto equilíbrio possível, a amiga de minha mãe esquecendo de colocar alguma coisa no estômago, a glicose caindo, no meio de tudo isso a comida pros gatos, dá pra imaginar o cenário, não dá? Dias atrás tudo desandou. A amiga de minha mãe passou muito mal e foi internada. Seus três gatos ficaram onde podiam ficar, fechados em seu pequeno apartamento que não pega sol. A situação se agravou e ela foi pra UTI. O vizinho, um rapaz generoso porém com problemas mentais, parece que está pondo comida para os bichanos que seguem lá, sem entender o que aconteceu. Soube hoje que do hospital a amiga de minha mãe vai para a casa de um de seus filhos. Sem os gatos. Uma das filhas vai tentar arrumar um outro local, mais perto, para onde a mãe possa se mudar, com seus gatos. Até que tudo se ajeite, tento imaginar o sofrimento da amiga de minha mãe, sem seus companheiros. E dos gatos, sozinhos num apartamento. Imagino, no futuro, pessoas e organizações se dedicando a resolver problemas desse tipo. Cada vez mais pessoas têm animais em casa, sobretudo gatos. Mas as pessoas envelhecem, adoecem…e podem passar longos períodos hospitalizadas, afastadas de seus bichanos. A morte pode chegar em seguida. Penso em pessoas que vivem sozinhas, com famílias já desfeitas onde ninguém meio que se importa “se o velho lá tem uns gatos”…

É preciso pensar em coisas assim. Os animais que convivem conosco merecem toda a atenção e cuidados nestes momentos difíceis.

Gatos e donos idosos – solução ou problema?

Gatos e pessoas idosas – uma visão otimista

Idosa com gato

O artigo do link acima apresenta as vantagens de um idoso adotar um gato, comparando-se com um cão e suas necessidades quase sempre elétricas. Tudo muito bacana. Mas eu não seria tão otimista assim, infelizmente. Sei quanto é maravilhoso conviver com meus bichanos e não consigo imaginar meus últimos dias nesta vida sem estar ao lado deles. Mas sei também que pessoas idosas, sobretudo em nosso país, podem ter grandes dificuldades de todo tipo para cuidarem adequadamente das supostas poucas necessidades dos gatos. Eu conheço por exemplo uma senhora, já idosa – e diabética – que vive com tres gatos num pequeno apartamento onde o sol não entra. Um deles já é bastante idoso também. Essa senhora mudou-se recentemente de apartamento, saindo de um onde seus gatos podiam pegar sol, para outro de fundos. Vocês podem imaginar o estrago que isso causou na qualidade de vida dos seus bichos. Uma de suas gatas passou meses reclamando e chegava a sair para o corredor do prédio em direção ao antigo apartamento. Embora conviva com gatos há décadas pode-se dizer que essa senhora, algo confusa e com a vida bastante desorganizada, não respeitou as necessidades mínimas de seus animais e lhes causou grande prejuízo…embora os ame. Essa mesma senhora mal regula sua dieta e acaba fazendo o mesmo com seus gatos. Muitas vezes se esquece de comprar ração e, obviamente, é incapaz de se organizar para complementar a dieta deles com alguma coisa fresca e preparada em casa. Brincar com os gatos? Nem pensar. Infelizmente seus bichos passam o dia confinados num pequeno apartamento tentando tornar as coisas um pouco menos desagradáveis para eles, escalando armários, subindo na geladeira e coisas assim.

Tenho pensado muito nisso. Quando vejo pessoas idosas com seus bichos fico tentando imaginar a qualidade da convivência que tem. E penso sobretudo nos gatos, em como podem estar tendo o que necessitam para viverem uma vida saudável e agradável. Eu não sei, sinceramente, como pessoas de idade podem proporcionar o que seus bichanos necessitam. Há várias atividades que não podem ser subestimadas, dentre elas:

  • Sair para comprar ração e areia sanitária. E trazer até em casa os pacotes…
  • Ter condições de comprar – e preparar – alimentos complementares como sardinhas, carnes etc.
  • Limpar a caixa de areia diariamente.
  • Limpar a casa para remover os pêlos.
  • Brincar com o gato, sendo criativo e razoavelmente ativo (embora o artigo diga que é possível brincar com a caneta laser estando sentado na poltrona, eu não acredito nisso…)
  • Cuidar da saúde do bichano, levando ao veterinário ou recebendo-o em casa. É claro que isso implica em controlar bem o calendário de vacinações e outras medidas preventivas.

É lugar-comum dizer que gatos exigem bem menos, que podem ser mantidos com quase nada. Eu acho que essa crença é ainda mais questionável em se tratando de pessoas idosas como cuidadores. Gatos precisam que estejamos bem, com saúde, ativos, atentos, zelosos. Isso vale para todas as idades, para todas as situações. Podem ser excelente companhia (sempre o são) para idosos, com certeza. Mas não podemos esquecer de suas necessidades.

 

Clínicas para gatos – realmente adequadas?


A explosão do mercado de “pets”, nos últimos anos, gerou uma onda de produtos e serviços “para gatos” – rações especiais, brinquedos, móveis, serviços de banho e tosa, isso para não falar de “clínicas especializadas” que “só atendem gatos”. Conheci uma, anos atrás, em Curitiba. Meu senso crítico encontrou vários falhas no projeto que, ao meu ver, não oferecia assim tanto conforto e sossego aos bichanos. Mesmo a questão da segurança e prevenção de escapes de gatos nervosos não parecia bem cuidada. Na época percorremos vários Pet shops e em nenhum deles havia qualquer tratamento especializado para gatos como dias e horários específicos para banhos. Bem, aqui surge essa outra questão, sempre polêmica. Com exceção de alguns casos, gatos geralmente não ficam assim particularmente à vontade e relaxados durante um banho. Ainda mais se esse banho ocorrer num ambiente estranho – e, muitas vezes, tumultuado de um pet shop…Aqui mesmo, na cidade onde moro atualmente, já surgiram duas clínicas ditas especializadas em felinos. Numa delas, bem pequena, há um pet shop só para gatos. Boa parte do que o espaço fatura é proveniente, com certeza, do serviço de banhos. Donos ligeiramente neuróticos ou sem noção entregam seus bichanos à mais nova “especialista” do pedaço. “Cachorrizam” seus amados felinos que saem dali perfumados, com adereços e…talvez contrariados, ainda que resignados. Já soube de histórias de gatos que voltam do banho “estranhos”, sem reconhecer o cheiro de outros gatos da casa e que acabam entrando em brigas. Naturalmente esses comportamentos pós banhos passam desapercebidos pelos seus apressados e ocupadíssimos donos e são creditados, obviamente, pela dona do pet shop, a algum passageiro stress…nada que um floral ou spray não resolva, não é mesmo?

Mas voltando às clínicas, seria interessante que passássemos a observar as existentes no mercado com olhos mais críticos. A foto que esse post traz mostra um amplo programa de creditação para clínicas poderem ser consideradas “cat friendly”. O termo pode parecer mais uma jogada do mercado ou sem maior sentido mas não é. O conceito cat friendly é fundamental para a qualidade de produtos e serviços ditos voltados para gatos. Se não existirem critérios vamos continuar sendo obrigados a engolir qualquer bobagem porque alguém disse ser para gatos. Ou pior, vamos continuar sendo atendidos por gente que, embora com muito boa vontade e carinho (nem sempre) não tem preparo real para lidar com gatos, não conhece sua psicologia e, last but not least, desconhece ou menospreza procedimentos de segurança e prevenção. Quem já não ouviu histórias absurdas de gatos (e também de cachorros) que escapam do colo de seus donos ao entrarem no pet shop? Pois é…onde estão as portas duplas de proteção, as áreas protegidas de transição? Nenhuma fiscalização, nenhum cuidado, pacotes e pacotes de ração, ao lado de milhares de produtos e lá no cantinho uma porta que dá acesso à área dos banhos. Lá mesmo, de onde vem aquele barulho de cachorros latindo e secadores secando. Como em alguns restaurantes, da próxima vez peça para visitar a cozinha…

Sem exagero nenhum, imagino que 99% dos lugares ditos para gatos não ganhariam o selo de “cat friendly” nem com muitos ajustes. Temos um longo caminho pela frente. O problema é que ele está cheio de gente vendendo coisas pelo caminho. 

A difícil tarefa de escolher uma casa adequada para meus gatos

Uma casa boa e adequada para seus gatos será, com certeza, boa e adequada para você também. Mas quando você está, como eu, à procura de uma nova casa, dezenas de “quesitos felinos” dominam a cena e determinam todo o resto. Um bom quintal, por exemplo, passa a ser muito mais importante que um closet. 

Como estou nesta procura há meses, já tive tempo suficiente para listar alguns pontos que considero interessantes:

  • Localização e quietude dos arredores. Escolha uma rua tranquila perto de outras ruas tranquilas. Se isso não for totalmente possível, pelo menos escolha ruas que, à noite, sejam bem mais tranquilas do que de dia. 
  • Vizinhança amigável. Procure observar se as casas vizinhas tem animais e como são seus quintais. Casas extremamente arrumadas podem virar um problema caso seu gato saia e entre na casa do vizinho. 
  • Proximidade de áreas verdes (praças, matas etc). 
  • Muros e cercas. Se você, como eu, prefere não dar acesso à rua, vai ser preciso analisar o tipo de muro e o tipo de tela que terá de ser colocada. Algumas casas exigem telas quilométricas e outras podem ser impossíveis de telar. 
  • Quintal, um bom quintal, como já foi destacado. Item em extinção nas casas mais novas, geralmente só encontrado em casas mais velhas, quando as pessoas não pretendiam usar todo o terreno com construções e prezavam o verde. Casas de tamanho médio costumam ter quintais minúsculos. Sobrados, como são chamadas as casas de dois andares em algumas partes do país, não costumam ter quintal decente, no máximo pequena área nos fundos. 
  • Esqueça os condomínios de casas. Se seu gato vai ter acesso à rua, a menos que o condomínio seja declaradamente “cat friendly” (não conheço nenhum), você vai arrumar problema com os vizinhos e ninguém vai cuidar de seu bichano. Estou sendo negativista demais? Pode ser, mas eu não recomendaria um condomínio para ninguém com gatos. 
  • Internamente, a casa precisa ter boa insolação. Se isso não é importante para você, pergunte ao seu gato o que ele acha de passar o ano inteiro num lugar escuro e frio. 
  • É importante avaliar também a divisão dos cômodos, como são as janelas, os acessos que são possíveis para áreas externas, possibilidades de fuga etc. 
  • Todos esses pontos, para casas alugadas, podem ser impossíveis de serem contemplados. Se você está comprando uma casa pode pensar numa reforma que, posteriormente, ajuste esses e outros pontos. Se vai construir, melhor ainda. Anime-se a passar para seu arquiteto (que certamente não entende nada de gatos…) todos esses quesitos e mais algum que você se lembrar. 
Ao fim e ao cabo, na verdade, se a casa for boa para seu gato também o será para você. 

Muros sem gatos

Um gato no muro é algo tão arquetípico quanto uma noite de céu estrelado. A imagem nos fala sobre os encantos da noite, sobre o que se move no escuro enquanto quase todos dormem. É quase um símbolo que marca nossos ritmos. À noite, além de todos os gatos serem pardos, como já diz o ditado, é também quando eles mais querem sair.

Mas como se não bastasse nossas noites estarem perdendo as estrelas – em função da forte poluição luminosa de todas as cidades – nossos gatos experimentam novos desafios em suas escapadas noturnas. Em nome de uma suposta “segurança” – quase sempre não atingida – as pessoas instalam cercas elétricas e outros aparatos, como as temíveis concertinas com suas lâminas afiadas. Nossos gatos mal conseguem caminhar sobre os muros, que dirá atingirem os telhados. Nossas cidades dormem embaladas pelos ruídos de muitos aparelhos de ar condicionado, bombas d’Água, letreiros, transformadores e outras tantas máquinas. Ontem, ao ir buscar minha Petúnia no telhado da casa ao lado, talvez estivesse presenciando uma cena em extinção. Num futuro não muito distante, apenas coisas como carros serão vistas circulando pelas cidades. Passarinhos, gatos, cachorros e outros seres, depois de terem sido expulsos de seus matos, perderão também esse outro espaço.

Obs: o desenho acima mostra uma cerca tipicamente usada nos EUA. Lá, ao invés de altos muros, as pessoas colocam cercas de madeira, algo muito mais leve e simpático. Sem nossas neuroses de segurança, os gatos podem aproveitar para caminhar sobre essas cercas…

 

 

Gatos. Permanências e mudanças

Quem tem gato sabe que é assim: eles são capazes de repetir, incansavelmente todos os dias, algum hábito e, ao mesmo tempo, mudarem o local de dormir, sem mais nem menos. No início eu me surpreendia, sem entender. Agora, só constato. Alguns comportamentos são tão repetitivos que beiram, aos olhos humanos, a pura neurose. Coisas como sentar no mesmo lugar, à mesma hora, para pedir comida. Ou então beber água na torneira a partir de um mesmo ângulo e posição, e não de outro. Há comportamentos que ocorrem praticamente na mesma hora, todos os dias. O mais temido deles é a mania de acordar o dono. Especialmente se isso ocorre antes, bem antes, das seis da manhã.

Ao mesmo tempo que são repetitivos são mutantes. Uma caminha pode deixar de ser usada nas sonecas da tarde…e nunca mais voltar a ser usada. Cantos da casa que eram sempre escolhidos deixam de ser e são trocados por outros. Os gatos descobrem novos lugares, novas almofadas, novos cobertores. Apego? Nenhum. Parecem nos dizer que, se precisarmos jogar tudo aquilo fora, eles nem vão sofrer. E não vão mesmo.

Gatos se equilibram entre permanências e mudanças. Se só nos ensinassem isso, já estaria de bom tamanho.

…até que um gato os separe

Duas pessoas que se amam podem não amar os mesmos bichos. Enquanto ela gosta de gatos, ele pode preferir cachorros. É claro que isso pode não ser nenhum problema, há milhares de casos onde os dois bichos convivem harmoniosamente. Mas algumas vezes a convivência não é tão boa assim e muitos problemas acontecem. 

Muitas pessoas têm conceitos – e preconceitos – a respeito de gatos. Há centenas de ideias equivocadas a respeito deles que vão desde achar que gatos não precisam ser castrados – “é da natureza deles” – até não reconhecer neles sinais de afeição ou ligação com humanos. Podem também ocorrer discussões e problemas se uma das partes for pelo livre acesso às ruas e a outra achar que gatos devem ser mantidos em casas teladas. Certos comportamentos felinos podem até ser mal aceitos se não houver uma disposição para amar e respeitar esses bichos, apesar de suas estranhezas. 

Outro ponto que pode gerar problemas é a tal da “independência felina”. É certo que gatos “se viram” muito melhor do que cachorros, por exemplo. Mas isso não significa que possam ser deixados ao léu, sem qualquer tipo de atenção ou cuidado. Viagens ou ausências prolongadas dos donos devem ser programadas e planejadas, de modo que os gatos contem com alguém para lhes trocar a comida e a água, limpar as caixas de areia, dentre outros cuidados mínimos. Se, no casal, um dos dois achar tudo isso bobagem ou exagero…

A crença de que “gatos não dão trabalho” prejudica mais do que ajuda. Gatos apenas reagem e sinalizam de um modo muito próprio, muito particular. O que não significa que pouco se importem com o que lhes acontece à volta. Casais devem, na verdade, conversar muito,  antes de adotarem um ou mais companheiros felinos. Se não houver convergência de pontos de vista, talvez seja melhor repensar a decisão de se ter um gato. Em situações onde os gatos já existem (segundos casamentos, por exemplo) é importante que se discuta a educação e a convivência com gatos, da mesma forma como fazemos quando há crianças ou jovens envolvidos na relação. Se assim não for, o que Deus uniu pode um gato vir a separar…